Arnaldo Jabor, em uma de suas crônicas, fez a seguinte e peculiar observação:
"A mulher se realiza satisfazendo o desejo maternal, com a segurança de ter uma família estruturada e saudável, com um bom homem ao lado que a proteja e lhe dê carinho.Esqueçam de uma vez por todas esse negócio de que homem não gosta de mulher fácil. Homem adora mulher fácil. Se 'der' de prima então, é o máximo.Todo homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil ele parte para outra."
Bom, me senti se não na obrigação de comentar, na tentação de retrucar esta lamentável passagem do cronista da rede globo. O ideal do amor "pra sempre" e casamento perfeito parece ser lindo e colorido quando colcado no papel, chega a ser fantasioso. E ao longo do tempo, não sei porque a exclusividade da preferência, passou a ser a visão masculina do que apenas a mulher queria para a vida dela - ser uma dona-de-casa dedicada e comprometida. Mas além das convenções sociais, dos modelos femininos de comportamento e postura, estavam escondidos nossos desejos e instintos, que tinham pressa em exigir muito mais que um teto, comida na mesa e marido pro jantar. Pelo que pude perceber com a passagem da crônica, a imagem da mulher, apesar de todos os movimentos sociais, todos manifestos, greves, leis protecionistas e mais um bocado de coisas que nos remete à um resquício de liberdade ainda nao foram suficientes pra fazer os homens entenderem com quem eh que eles estão lidando. Hoje em dia não tem mais essa de mulher nasceu pra isso, pra aquilo. Pensei que já tinha dito que a gente pode ser o que quiser. A mulher hoje conseguiu inverter os papeis, a gente consegue fazer tudo com igualdade, pra dizer o mínimo, quando nao o fazemos com superioridade. Não estou dizendo que somos uma "raça" superior, mas que temos capacidade de sermos superiores em nossa diferença, a diferença que existe entre cada mulher. Que nos faz ser a melhor medica ou a pior arquiteta. E como se não bastasse o conservadorismo que rege nosso dia-a-dia, aquelas que lutam contra uma mudança de mentalidade são chamadas de subversivas, quando não de coisas piores, e são mal interpretadas por uma grande maioria. O preconceito está empreguinado nas nossas roupas, nas nossas bebidas, no tom de voz. Quando uma mínima mudança de comportamento é notada, há repressão - há regressão. Homens como Arnaldo Jabor tem aos montes, e estão a cada dia difundindo esta "corrente de pensamento" machista de que o homem infiel é normal, é até saudável, enquanto a mulher tem que estar sempre se contendo à espera da boa vontade da suposta classe dominante.... hahaha. Se eles nao fossem tão cabeça dura quanto são, eu teria uma proposta a fazer: ou o conservadorismo serve para ambos os sexos, ou temos direitos iguais para conduzirmos nossos relacionamentos. Adepta do movimento cético-amoroso, acredito que minha proposta teria negação praticamente unânime da parte dos homens, que não abririam mao por nada neste mundo do seu espaço privilegiado em quase todos os setores existentes. Mas dou um aviso em nome das mulheres: tudo que a gente conquistou até hoje não foi em vão, e não há homem nenhum no mundo que consiga nos parar.
sábado, 3 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A gente pode ser o que quiser. Uma imagem borrada em um quadro esquecido, um batom manchado na camisa do marido. A gente pode ser aquela velha história de infância, uma doce lembrança, qualquer coisa que traga esperança. Pode ser um grande amigo, um ombro pra chorar, pode ter conteúdo, pode ser um cabide pras tendências capitalistas. Pode ser fashion, popular, bem vestido, charmoso, atraente, engraçado, descontraído, brega, anônimo, maltrapilho, desajeitado, mal-humorado, tímido... A gente pode ser qualquer coisa que venha na mente pra extravazar um sentimento, pra botar pra fora a raiva momentânea que TEM que dar trégua pro coração. Mudar a cada dia ñão significa necessariamente se perder. Às vezes ser original requer muito mais do que constância, requere ir além da monotonia do ser cotidiano e robótico. Para ser autêntico´tem que ser sempre você mesmo, e ainda assim não ser o mesmo para sempre.
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